Resenha

Resenha: É Assim Que Acaba

”Eu me perguntei como alguém com o sorriso tão lindo poderia ter pais tão ruins.” Página 41

 ”Plantas recompensam a pessoa com base na quantidade de amor que recebem. Se for cruel ou negligenciá-las elas não te dão nada. Mas, se cuidar delas, se amá-las do jeito certo, vão te recompensar com presentes na forma de verduras, frutas ou flores.” Página 108

Nessa obra marcante CoHo nos apresenta a Lily Bloom, uma menina gentil e corajosa apesar de todas as situações ruins que ela presenciava desde cedo. No meio de sua adolescência Lily conhece Atlas, um menino sem lar, sem família que ‘se mudou’ para a casa abandonada próxima a que Lily morava, e assim que viu que aquele menino não tinha nada e nem ninguém, Lily começou a levar mochilas com comidas e roupas para o menino, e foi assim com uma atitude gentil que começou uma amizade entre eles, mas no meio dessa gentileza Lily presencia sua mãe sofrendo violência doméstica, diversas vezes, e sempre que Lily tentava defender a mãe ela explicava que não podia fazer isso, pois poderia prejudicar sua carreira se as pessoas da cidade soubessem.

”Gosto de desenhos animados que nos fazem rir, mas que também nos fazem sentir algo. Depois de hoje, acho que esse é o meu desenho animado favorito. Porque ultimamente sinto como se eu fosse me afogar, e às vezes as pessoas precisam lembrar que só devem continuar a nadar.” Página 140

Então assim seguiu muitos anos de sua vida, sua mãe sendo agredida, ameaçada, abusada e Lily sem poder fazer nada, no meio de tudo isso seu conforto era Atlas e acompanhamos cada detalhe através dos diários que ela escrevia e que jamais enviou a apresentadora Ellen DeGeneres. Agora, anos após tudo isso, Lily tem 22 anos, formada, e decide abrir uma floricultura, nesse caminho conhece Ryle, um jovem neurocirurgião, inteligente, atraente, sincero porém com um temperamento bem complicado, porém o destino vai cada vez mais juntando os dois, mas também por conta do destino algo acontece e coloca em dúvida tudo o que construiu com Ryle.

”  -Todos temos nossos limites, o que estamos dispostos a aguentar antes de arrebentarmos. Quando me casei com seu pai, eu sabia exatamente qual era meu limite. Mas aos poucos… a cada incidente… meu limite foi aumentando mais um pouco. E mais um pouco. Na primeira vez que seu pai me bateu, ele se arrependeu na mesma hora. Jurou que nunca mais aconteceria. Na segunda vez, ele ficou ainda mais arrependido. Na terceira foi mais que um golpe. Foi uma surra. E eu sempre voltava para ele. Mas na quarta vez, foi só um tapa. E, quando isso aconteceu, fiquei aliviada. Lembro que pensei ”pelo menos ele não me bateu desta vez, não foi tão ruim”. Todo incidente abala um pouco seu limite. Toda vez que você decide ficar, torna mais difícil abandoná-lo da próxima vez. Com o passar do tempo, você perde completamente seu limite de vista porque começa a pensar: ”Eu já aguentei cinco anos, então porque não mais cinco?” Página 329

”Muitas vezes, quando era mais nova, eu ficava imaginando o que a minha mãe pensava nos dias que meu pai lhe batia. Eu me perguntava como era possível ela amar um homem que a machucava. Que vivia lhe batendo. Que prometia nunca mais fazer aquilo. Mas sempre a machucava de novo.” Página 279

Esse livro me conquistou de uma forma que não posso explicar, e já posso dizer que não é pela beleza da história, esse livro trata situações reais, do dia a dia de muitas pessoas, e ele trata tudo com uma abordagem sensacional, personagens com conflitos, pensamentos, tudo desenvolvido e abordado com muito cuidado. Nós que estamos de fora dessa situação do livro, podemos nos ver revoltados, tristes mas não julgando, e essa é uma mensagem muito importante que a CoHo nos passa, não somos capazes de julgar nada desse tipo. Esse livro incomoda, e cativa, esse livro te mostra o outro lado da moeda.

”É nos dias que não estou tão forte que eu queria que minha mãe soubesse de tudo o que está acontecendo. Às vezes, tudo o que eu queria era ir até sua casa e me deitar no sofá enquanto ela põe meu cabelo atrás da orelha e diz que tudo vai ficar bem. Às vezes, até mulheres adultas precisam do consolo da mãe, só para deixar um pouco de lado a obrigação de ser forte o tempo inteiro.” Página 325

Os personagens são muito bem construídos, Lily, Allysa, Atlas, Ryle, todos com conflitos, todos aprofundados, maravilhosamente bem elaborados. Esse livro não é uma leitura fácil, quando iniciei a leitura eu soube que de alguma forma essa leitura ia mexer comigo de formas que eu não saberia explicar, e estou aqui resenhando depois de passar dias absorvendo e pensando a maneira certa de trazer a história, mas não há maneira certa, nessa obra a nossa rainha CoHo acabou comigo.

 ”Olhando por cima do ombro, observando a porta toda vez que ela abre. Será que ele acabou comigo? O medo que sinto nunca vai me abandonar?” Página 287

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s